I Seminário de Negras e Negros de Rio Grande.
CONTRA A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CADÁVERES, A FÚRIA NEGRA RESSUSCITA OUTRA VEZ - NÓS POR NÓS.
O que a história nos ensina é que desde que nossas/os antepassados/as chegaram a estas terras, houveram políticas públicas sendo criadas pelo Estado, a fim de que fossem alijadas/os dos espaços que poderiam promover sua ascensão social, econômica, política, educacional. Nestes termos, há uma dívida histórica a ser reparada por este mesmo Estado que faz com que, embora nós negras/os sejamos a maioria da população brasileira (segundo o último censo 50.3%), esse dado não se reflita na ocupação de escolas, universidades, cargos públicos e etc. Essa pouca representatividade ou evasão tem origens historicamente situadas nos processos ocorridos durante e após o fim da escravidão.
Tais ações alijantes inserem-se no panorama de práticas e ideais racistas para as/os quais, as universidades e instituições educacionais têm contribuído fortemente. Ainda que existam avanços inegáveis, como a Lei de Cotas 12.711/2012 e as leis federais 10.639/2003[1] e 11.645/2011[2], mesmo estes marcos precisam ser retroalimentados e alargados por meio de ações que promovam a cultura e a reflexão para seguirmos avançando enquanto cidadãs/os.
Neste cenário, é imprescindível ressaltar que a juventude negra vem sendo atacada e EXTERMINADA diariamente, no Brasil e no mundo. É o futuro e o presente da população negra, mas também de nosso país sendo mortos. No ano de 2013, 77% das vítimas de homicídio eram negras, esse número representa 30 mil mortes por ano. A esses dados colaboram os últimos abalos e retrocessos sofridos com o avanço do projeto de lei da redução da maioridade Penal, das terceirizações, entre outras.
Em um momento de tantos ataques a negros e negras, mas também de grande ampliação da resistência, é fundamental que a luta antirracista dentro e fora da Universidade se fortaleça.
Em um momento de tantos ataques a negros e negras, mas também de grande ampliação da resistência, é fundamental que a luta antirracista dentro e fora da Universidade se fortaleça.
Ressaltamos ainda que a luta por representatividade e reparação histórica é diária e para ela, o Coletivo, tem buscado contribuir por meio de espaços formativos de conversa, de debate, de construção e formação de cada um e uma de nós no combate ao Racismo, Machismo, Homofobia, Transfobia, Lesbofobia, Bifobia, Gordofobia, Sexismo, enfim, toda forma de opressão que opere inferiorizando o/a outro/a.
Sendo assim, nossa proposta é promover esse espaço no I Seminário de Negras e Negras de Rio Grande, com os objetivos de desenvolver a interlocução das comunidades universitárias, comunidades periféricas e setores institucionais, fomentar processos coletivos de formação para efetivação e multiplicação da luta antirracista e promover o acesso à cultura de matrizes afrobrasileiras em âmbito geral.
[1] Lei federal que obriga o ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana nos estabelecimentos de ensino.
[2] Lei federal que obriga o ensino de História e Cultura Afro Brasileira, Africana e Indígena nos estabelecimentos de ensino.
CRONOGRAMA DISPONÍVEL EM: http://coletivomacanudos.wix.com/seminarionegrxsrg#!cronograma/cee5
CRONOGRAMA DISPONÍVEL EM: http://coletivomacanudos.wix.com/seminarionegrxsrg#!cronograma/cee5
FONTE: Coletivo Macanudos. Manifesto. Disponível em: <http://coletivomacanudos.wix.com/seminarionegrxsrg>. Acesso em: 13 out. 2015.
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